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Mudar de Mindset: do Jornalismo Analógico para o Jornalismo Digital

  • Foto do escritor: Luciana Faro Guimarães
    Luciana Faro Guimarães
  • 26 de abr. de 2022
  • 3 min de leitura

Migrar para o Jornalismo Digital as vezes é muito mais doloroso do que difícil.


Para jornalistas que estão beirando os 50 anos (e não cinquentaram, rs!), o jornalismo digital se apresenta como uma necessidade e não opção. Isso porque fomos treinados no analógico, no jornalismo tradicional, imparcial e gramaticalmente rico.E as mudanças do Mundo Digital nos surpreende. Mas elas vieram para ficar.


Como eu, esses jornalistas se graduaram usando máquinas de escrever. Elas eram barulhentas, as fitas enrolavam e nós usávamos o “branquinho”. Lembro que em meu primeiro estágio como assesssora de imprensa, estou falando em 1991, uma das minhas tarefas era passar a grade de programação de uma extinta emissora de TV para os demais veículos de comunicação. E isso era feito por fax! Era tarefa para dois ou três dias. As redações eram absurdamente barulhentas e também esfumaçadas, pois era permitido fumar em ambientes fechados. Ostentar na redação era fumar Marlboro com isqueiro Zippo!


Pouco tempo depois, quando me formei, começamos a nos adaptar aos computadores. Mas a prática do jornalismo era a mesma. Mudamos as máquinas, agilizamos nosso trabalho, fomos apresentados aos e-mails e à internet discada, ainda barulhenta. Mesmo assim, com tantas transformações, o jornalismo sobrevivia abraçado as suas tradições. Trabalhávamos com a linguagem formal, buscávamos a imparcialidade e acreditávamos que essa era a melhor forma de transmitir a notícia.


E quando nos adaptamos aos computadores surgiram as redes sociais. Elas nos foram apresentadas como uma forma de entretenimento. Na época, o Orkut parecia um fofoqueiro autorizado pela fonte. Outras redes sociais apareceram e chegaram a ser proibidas em empresas porque dispersavam a atenção de quem estava trabalhando. Tempo era dinheiro!


Não é gostoso lembrar? Sim. Mas será que recordar é viver? Esse apego pelo passado, pelo que era considerado correto, faz com que a mudança de mindset se torne pior do que ela parece. Ela se torna dolorosa. Notaram quanto o jornalismo já mudou? E nem estamos falando em ditadura e sim de formas de praticar a profissão.



O Jornalismo Digital


O Jornalismo Digital é mais uma mudança para a sobrevivência da profissão e dos profissionais. A comunicação mudou e com ela, a prática do jornalismo. Isso ocorre porque mesmo sendo uma comunicação direta, mais informal, utilizando as redes sociais como veículo, ainda é preciso ter alguém habilitado para transmitir a informação de forma correta e até mesmo se responsabilizar pelo que está sendo dito.


A forma de escrever mudou com as técnicas de SEO. Divulgamos as notícias com um forte apelo visual, através de posts. E os aplicativos são tão necessários quanto o próprio computador. O celular virou extensão de nossos braços. E tudo isso é necessário no jornalismo digital.


As assessorias de imprensas estão perdendo clientes para as redes sociais. As redações estão cada vez mais enxutas. Então te pergunto: porque não dominar essas redes? É a tática da sobrevivência sendo colocada em prática, ou seja, transformar o inimigo em aliado.


Mas será que é tão difícil se adaptar? É tão difícil quanto foi largar a máquina de escrever e usar o computador. Mas é uma questão de estudo, treino e adaptação.


E muitos questionam: mas isso é jornalismo? Claro que sim! Se feito de forma séria, priorizando a informação, que hoje denominamos conteúdo. E quando falo em seriedade, falo em estratégia e métricas. E já fazíamos isso nas assessorias! Mudamos a forma de linguagem, a nomenclatura e nos adaptamos as novas tecnologias.


Acreditem essa mudança para o jornalismo digital pode ser mais fácil e menos dolorida.


E quando me questionam para onde vamos, eu não me assusto mais. Metaverso, quem sabe? E essa minha resiliência vem de um único fato. Do mesmo jeito que o sertanejo vem com sua viola para cidade grande procurar oportunidades, eu entro no mundo digital, carregando debaixo dos braços o meu “jornalismo raiz”. Porque o que muda são as circunstâncias e não a essência.






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